4 horas atrás
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
E viva o ócio.
Imagens: Tripé da Silva Soarez
Edição e animação: Tuzi
Ator moreno jambo: Junim
Papagaio de pirata: Bob
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Making of
- Sobrou umas imagens na time line, juntei tudo e deu pra montar um vídeozinho desse dia, um abraço a todo mundo que participou. Clique em play, espere carregar um pouco e dê pause, quando carregar tudo clique em play novamente, melhor assim. O vimeo.com permite postagens de vídeo muito boas, mas exige um pouco mais da placa de vídeo de quem assiste, se ficar travando significa que está na hora de você pensar em uma placa nova, né? huhu!
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
E hoje é meu aniversário.
Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Sujeito de sorte - Belchior.
Porque apesar de muito moço me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Sujeito de sorte - Belchior.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
De Dahmer, dos malvados.
Aos completar trinta anos, você ganhará os olhos duros dos sobreviventes. Só verá sua amada na parte da manhã e da noite, só encontrará seus pais de vinte em vinte dias. E quando seus velhos morrerem, você ganhará um dia de folga para soluçar e gritar que deveria ter ficado mais próximo deles. Sorria, você é um jovem monolito e a vida vai ser pedrada. O trabalho é uma grande cadeia e você sentirá muito alívio por ter uma. A cadeia engrandece o homem. E o sangue do dinheiro tem poder. Reze. Reze ajoelhado por uma carreira, dê a sua vida por ela. Viva como todo mundo vive, você não é melhor que ninguém. Porque o dinheiro move montanhas, o dinheiro é a igreja que lhe dará o céu. Sorria, você é um jovem monolito e o mundo é uma pedreira. Eles irão moer você todinho. De brinde, muitos domingos para chorar sua falta de tempo ou operar uma tendinite. Nas terríveis noites de domingo, beba. Beba para conseguir dormir e abraçar mais uma monstruosa segunda-feira. Aquela segunda-feira que deixa cacetes moles e xoxotas secas para sempre. A vida é uma grande seca, mas ninguém sente calor: Nas salas refrigeradas, seus colegas de trabalho fabricam informação e, frios, sonham com o dia dez do próximo mês. Você é o Babaca do Dia Dez, não há como mudar o seu próprio destino. Babaca que acorda assustado, porque ninguém deve atrasar mais de vinte e cinco minutos. Eles descontam em folha e você é refém da folha, do salário, do medo. Ninguém tem o direito de ser feliz, mas você ganhará a sua esmola de seis feriados por ano. E todos nós vamos enfrentar, juntos, um imenso engarrafamento até a praia. Para fingir que ainda estamos vivos. Para mostrar que ainda somos capazes de sentir prazer. Para tomar um porre de caipirinha sentado em uma cadeirinha de praia. É uma grande solução. E você ainda ganhará quinze dias de férias para consertar a persiana, pagar contas, fazer uma bateria de exames. Ninguém quer morrer do coração, ninguém quer viver de coração. Eu não duvido da sua capacidade de vencer: Lembre disso no primeiro divórcio, no primeiro infarto, no primeiro AVC.
domingo, 20 de setembro de 2009
Capitalismo irremediavelmente selvagem.
Ney, o farmacêutico, fala ao telefone com seu amigo dos tempos de faculdade, diz que precisa eliminar algumas caixas de rivotril, alguns moderadores de humor e umas tantas de ritalina. Alguns minutos depois, Madalena sai do consultório da esquina com seu filho que pula e faz mil perguntas ao mesmo tempo, como uma criança normal. Mas agora, Renatinho tem DDA.
Sabedoria para fracos.
Quando são irresponsáveis comigo uma vez, a culpa é de quem o faz, a culpá é do outro. E quando são irresponsáveis pela segunda vez, a culpa é minha.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Necrofilia musical.
E dizem as más línguas que os Beatles só são melhores que os Stones porque Keith Richards e Mick Jagger ainda não bateram as botas.
A bem da verdade; Eddie Vedder perdeu o lugar que Kurt Cobain ocupou porque não enfiou uma bala na cabeça na época do "Ten". E você nem conheceria Ian Curtis se não tivesse uma corda na casa dele naquele dia, pois se estivesse vivo e você o conhecesse, iria chamá-lo de reclamão depressivo, talvez até o confundiria com um emo. E ainda bem que Michael Jackson morreu, se não seria o mesmo filho da puta comedor de criancinhas, coisa que eu e você não acredita mais. Ponho minha mão no fogo, o Michael? We are the world? Jamais.
Triste sina, Arnaldo Baptista, porquê não morrestes após pular do terceiro andar? Talvez se não fosse tão cozido de ácido saberia que o terceiro andar não é o suficiente, Arnaldo, não é. Mais dois ou três andares e até a Rita Lee te amaria mais uma vez.
Achei o Loki pra baixar. Ouié.
A bem da verdade; Eddie Vedder perdeu o lugar que Kurt Cobain ocupou porque não enfiou uma bala na cabeça na época do "Ten". E você nem conheceria Ian Curtis se não tivesse uma corda na casa dele naquele dia, pois se estivesse vivo e você o conhecesse, iria chamá-lo de reclamão depressivo, talvez até o confundiria com um emo. E ainda bem que Michael Jackson morreu, se não seria o mesmo filho da puta comedor de criancinhas, coisa que eu e você não acredita mais. Ponho minha mão no fogo, o Michael? We are the world? Jamais.
Triste sina, Arnaldo Baptista, porquê não morrestes após pular do terceiro andar? Talvez se não fosse tão cozido de ácido saberia que o terceiro andar não é o suficiente, Arnaldo, não é. Mais dois ou três andares e até a Rita Lee te amaria mais uma vez.
Achei o Loki pra baixar. Ouié.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Saco cheio de amar, num saco cheio de amor.
Que este meu espaço virtual não veja muitas histórias do coração. Sequer uma mais, nunca mais. Quantas já foram? Quantas serão? Aquiete-se. Duma expectativa tola de uma paixão que pode ser, que não é, à certeza de um amor que é, e que não meço esforço caso queira que não seja. Eu quero paz pra todo mundo e um pouco dela pra mim, não é muito o que quero. Que venha o amor e suas dores, que venha o amor e suas mágoas, que venha o amor e as chateações, que venha o amor e a felicidade. Mas que venha o amor de um único alguém. Não nasci pra muitas histórias e meu coração está bem, mas não quer as artérias entupidas.
Hahaha, seu piegas.
Zóinha,
Eu sei que eu ia te fazer feliz
Dos pés até a ponta do nariz
Da beira da orelha ao fim do mundo
Sugando o sangue de cada segundo
Te dou um filho, te componho um hino
O que você quiser saber eu ensino
Te dou amor enquanto eu te amar
Prometo te deixar quando acabar
Se você não quiser
Me viro como der
Mas se quiser me diga, meu amor
Pois se você quiser
Me viro como for
Para que seja bom, como já é.
Arnaldo Antunes.
Eu sei que eu ia te fazer feliz
Dos pés até a ponta do nariz
Da beira da orelha ao fim do mundo
Sugando o sangue de cada segundo
Te dou um filho, te componho um hino
O que você quiser saber eu ensino
Te dou amor enquanto eu te amar
Prometo te deixar quando acabar
Se você não quiser
Me viro como der
Mas se quiser me diga, meu amor
Pois se você quiser
Me viro como for
Para que seja bom, como já é.
Arnaldo Antunes.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Macaco-pelado que se preze, se doma.
Aquilo que é instinto, é carnal, é humano, aquilo que é mais animal. Aquilo que vive na sombra da ética e que se esconde - sem ser devido - nesta sombra por força do coletivo deixando pra lá o que há em mim de mais natural. O coletivo levou o homem à loucura conceituada pudor, levou à loucura dos costumes e tradições, nos tirou aquilo que é dito vergonha em mesas bem postas a pratos sempre bem limpos, quando na verdade, só é a mais pura natureza humana. Abafa o que é sentimento puro e cala com um conceito que é velho e não será refeito. Nos Veta, incomoda e fascina.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Mickey e Mallory Knox.
Um sacana, é isso que é. Sem saber, mas é. É aquele que faz por você para que no final seja tudo pra ele mesmo. Não lhe convém ter prazer, só proporcionar prazer. O prazer proporcionado é alheio, é ao outro e dura pouco a quem recebe. É a dopamina passageira liberada no cérebro do outro e que passa tão rápido, tão rápido, que a bem da verdade: não se faz valer a pena contentar-se. Este é o romântico, um desnecessário massageador de ego. Um fraco que além de só proporcionar prazer ao outro é puro desespero. O romântico é desespero. Se ele não a tem ele se declara, desesperadamente se declara para que a tenha. O romântico é um filho da puta que quer conquistar. Quer entranhas a dentro e dominar o coração daquela que se banha em prazer em serenatas. Um zero a esquerda que só proporciona prazer ao outro em benefício próprio. Me mostrem um romântico que está ai em troco de nada. Bons românticos não existem. Mas que estejam por aí sempre, em todo lugar. Dando sempre o máximo deles para elas, contudo, fazendo sempre por eles.
Da série: Verdades indubitaveis.
No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. E se eu tivesse escrito isso, você com certeza me mandaria a merda.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Mais uma canção.
Nada vai mudar entre nós
Como eu sei?
Eu só sei
Tudo vai permanecer igual
Afinal
Não há nada a fazer.
[...]
Sempre deles, Camelo e Amarante.
Como eu sei?
Eu só sei
Tudo vai permanecer igual
Afinal
Não há nada a fazer.
[...]
Sempre deles, Camelo e Amarante.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Proletário não tem sombra.
Invisíveis, é isso que são. O grosso da sociedade não está na televisão. Não há espaço para a massa. Como uma coisa tão grande consegue ser tão invisível? O trabalhador não tem sombra e nem opina. O grosso da sociedade é o chorume que escorre da minoria luxuosa que nunca cresce, mas aparece, é o modelo Peter Pan. E o verdadeiro Brasil segue sendo muito impopular aqui no Brasil.
Com muito orgulho, com muito amor.
É o país das mulheres de muito passado e homens de futuro nenhum, a política só funcionaria se não houvessem os políticos, porque no Brasil política só é mais uma profissão bem remunerada, boa vontade? Que nada. A idéia do político já é sinônimo de má indole, se não é, a história mostra que será. É o país do dedo duro torto, que fica apontando e caguetando as pessoas erradas dizendo que o problema do tráfico é o usuário, que o menor rouba e mata porque o pai não educa, que o pai não educa porque não quer, não interessa se ele tem formação o suficiente pra isso, ele ganha o sessenta reais do bolsa família portanto o filho deveria ser educado. Educação é coisa secundária, a fome tem de ser zero e o bolsa família é o ópio do povo. E é esse mesmo menor que rouba e mata que será o pai com a missão de educar alguém amanhã, o dedo duro torto desse país nunca ouviu falar que crianças são mensagens vivas que mandamos ao futuro. É simples, é básico, é simplesmente educação. Eu tenho um sentimento tão Malufético de quem já não tem esperança alguma que eu queria dizer pra quem quer fazer política o seguinte: vá lá e rouba, mas educa, ao menos isso, roubem da saúde, da aposentadoria dos velhos, mas não tirem da educação. Entendeu a gravidade da coisa? A única esperança é adotar a filosofia "estupra mas não mata", com alguns complementos de "relaxa e goza" - já que o estupro é inevitável. Política é um porre. Não queria manchar este meu espaço com este porre. Mas hoje na casa dos meus pais eu abrí uma antiga revista TRIP e foi a primeira coisa que lí: "Política é um porre, um porre necessário." Não lembrava desse texto e a sensação ao ler é de que nunca havia lido, o que não me espanta, porque a revista é de uns oito anos atrás, se hoje ainda não me interessam estes assuntos, há oito anos atrás eu deveria estar mais preocupado com o próximo baseado do dia e nada mais. O texto é de Ricardo Guimarães e o cara estava dando uma força a um leitor da revista que estava prestes a entrar na política. O leitor dizia que era tarde e que ficou omisso por anos em relação a isso e que sentia agora, com mais idade, necessidade de por um dedo seu nas coisas que acontecem no país, dar sua contribuição. Por onde andará o nosso herói de oito anos atrás? Pensando nele como uma má índole; está com dinheiro no bolso e deve estar com seu nome por aí, envolvido em alguma sujeira. Se for realmente boa pessoa tentou algo honesto, se deu mal e se recolheu na sua militância impotente em que sempre viveu, porque prefere viver puto com tudo mas com dignidade. Eu não sei em qual das duas situações você apostaria, só sei que não há uma terceira opção. Eu fico com a primeira.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Revés de mim mesmo.
Talvez seja injusto com o coração que me acompanha e que não é o meu, mas por mais que eu sinta algo bom, te privo das minhas declarações pra que não te acomode ao berço dos acomodados, berço daqueles que pensam já ter o coração do outro. Se te privo de mim é pra lhe ter em mim. E sigo na condição daquele que não quer nada, pra ter tudo, por inteira.
É trauma, reflexo, das últimas amargas experiências com declarações. E este não sou eu: é meu revés; minha auto-defesa.
É trauma, reflexo, das últimas amargas experiências com declarações. E este não sou eu: é meu revés; minha auto-defesa.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Onde a obrigatoriedade encontraria a censura.
Pelo que me consta, num rápido bizú no Google, o Brasil é um dos poucos países que fazem tal exigência sobre a obrigatoriedade do diploma para jornalistas, o que não faz os noticiários desse país serem melhores que os de outros países. Talvez o diploma até se faça necessário nos cafundós do Zimbábue, no Irã e no cercadinho da Bomba H do norte-coreano-louco, por puro controle da verdade dos fatos - o que muitas vezes não acontece, é interessante pra quem quer controlar, mas na democracia da putaria Brasileira, a obrigatoriedade existe por quê? Num outro rápido Bizú no google vi que o decreto-lei impondo a obrigatoriedade do diploma foi baixado há 30 anos pelo regime militar e é ítem nos Atos institucionais (AI-5 e o resto) e isso explica muita coisa: quanto menos gente execendo a profissão de jornalista durante o regime, mais fácil o controle sobre o que é noticiado, sendo o mais chulo e realista possível: militares cercando e marcando os bois. E aí fica fácil de entender o porquê a obrigatoriedade fere os direitos da liberdade de expressão.
Eu, que nada tenho com isso, logo me ocorreu um foda-se e uma leve lembrança do livro "Fomos maus alunos" de Gilberto Dimeinstein e Rubem Alves, presente da ex-namorada e que li no Japão, e que me ajudou a formular uma idéia que já existia em mim: o quão desnecessário são diplomas e essas coisas palpáveis sem o fator amor e talento ao que se faz. A faculdade de jornalismo forma poucos empregados e muitas vezes só te vende um diploma, mas amor e talento certamente é mais fácil nascer através daqueles gibis da Turma da Mônica que o bom jornalista lia quando criança do que dentro de uma faculdade. A faculdade sempre vai estar lá e conhecimento nunca é demais, mas obrigar a tal coisa é sim, ferir um direito de todos. Que é o direito de pensar e externar. Direito que uso neste meu espaço virtual com o mesmo carinho que minha mãe cuida de suas orquídeas, é aí que meu caminho se cruza com esse lance de diploma. Explico o motivo.
Existe um Senador filho da puta - desculpem a redundância - chamado Eduardo Azeredo que tem um projeto no senado com leis completamente absurdas e impraticáveis para a internet. Com a desculpa de coibir crimes virtuais e usando o tema pedofilia para ganhar peso no projeto, ele segue com tal idéia. As leis impostas no tal projeto são chamadas pelo pessoal dos blogs como o AI-5 digital, numa alusão aos decretos impostos pelo regime militar. O projeto absurdo se resume em dados pessoais precisos de qualquer cidadão que possa acessar a internet, banco de dados com informações a cada clique e uma idéia absurda sobre a troca de arquivos via internet, absurda e impraticável. Acredite, você teria problemas e burocracias mil simplesmente ao mandar uma simples foto sua via e-mail seja lá pra quem fosse. Passando um pano por cima, o projeto só transformaria este veículo das milhões de possibilidades que é a internet numa coisa tão útil para nossos cérebros quanto a televisão da sua sala. Eu até diria que o senador Eduardo Azeredo é só um simples ignorante de boas intenções, diria sim, mas se não houvessem por trás dos projetos dele, magnatas dos direitos autorais e grandes empresas de informática, soa no mínimo suspeito. Simplificando mais, é como se grampeassem todos os telefones pra evitar crimes. Ou seja, a típica manobra burra de governo que não tem competência e não cuida dos filhos seus, algo do tipo: "quem usa drogas é quem financia o tráfico" - ridículo, é como dizer que pra acabar com a aids, basta parar de transar. Eu nunca ví campanha na TV dizendo: "Campanha por um governo melhor, que educa e dá condições intelectuais pra que o povo não precise traficar pra ter o que comer" Mas não, é mais fácil a puta jogar a culpa nos filhos dela. Talvez o Senador não perceba que o mesmo cara que trafica por necessidade é o brutamontes que dá tapa na cara da mãe na frente do filho, criando um adulto problemático capaz de molestar crianças. O governo é que fabrica traficantes, o usuário tem culpa nenhuma. E pais indignados e desprovidos de um intelecto melhor que são fábricas de pedófilos. Mas o senador diz que a culpa é da internet.
E visto que, os blogs da vida são fontes cada vez mais sérias e seguras de informação, não demoraria nada pra incluírem um ítem no apelidado AI-5 digital de Azeredo, proibindo os pobres mortais sem quadrinho com diploma de jornalista na parede, de expor suas próprias idéias e informações através de blogs. É a censura disfarçada deixando de existir só na Televisão e tentando invadir, com passos de quem não quer nada, este espaço que é o único realmente democrático que nos é permitido. Ainda.
Pra entender melhor:
Eu tenho um egoísmo ridículo que sei que é apenas reflexo de um sistema furado e sem jeito que é o Brasil, não levantaria a bandeira por nada contra governo nenhum simplesmente porquê tenho preguiça dessas coisas, eu faço parte da geração que aprendeu que nada funciona e nunca vai funcionar honestamente quando o assunto é política. Morando fora eu ví que no Brasil desonestidade na política é cultural e o povo quer mesmo é samba e futebol. Eu sou da geração sem esperanças, chame como quiser, não ligo balhufas pra política e não, não adianta me criticar porquê a culpa não é minha. Mas sou da geração que aprendeu mais na internet do que na escola ou faculdade e por essa causa eu até bancaria o chinês na frente de um tanque na praça da paz. Com certeza.
Eu, que nada tenho com isso, logo me ocorreu um foda-se e uma leve lembrança do livro "Fomos maus alunos" de Gilberto Dimeinstein e Rubem Alves, presente da ex-namorada e que li no Japão, e que me ajudou a formular uma idéia que já existia em mim: o quão desnecessário são diplomas e essas coisas palpáveis sem o fator amor e talento ao que se faz. A faculdade de jornalismo forma poucos empregados e muitas vezes só te vende um diploma, mas amor e talento certamente é mais fácil nascer através daqueles gibis da Turma da Mônica que o bom jornalista lia quando criança do que dentro de uma faculdade. A faculdade sempre vai estar lá e conhecimento nunca é demais, mas obrigar a tal coisa é sim, ferir um direito de todos. Que é o direito de pensar e externar. Direito que uso neste meu espaço virtual com o mesmo carinho que minha mãe cuida de suas orquídeas, é aí que meu caminho se cruza com esse lance de diploma. Explico o motivo.
Existe um Senador filho da puta - desculpem a redundância - chamado Eduardo Azeredo que tem um projeto no senado com leis completamente absurdas e impraticáveis para a internet. Com a desculpa de coibir crimes virtuais e usando o tema pedofilia para ganhar peso no projeto, ele segue com tal idéia. As leis impostas no tal projeto são chamadas pelo pessoal dos blogs como o AI-5 digital, numa alusão aos decretos impostos pelo regime militar. O projeto absurdo se resume em dados pessoais precisos de qualquer cidadão que possa acessar a internet, banco de dados com informações a cada clique e uma idéia absurda sobre a troca de arquivos via internet, absurda e impraticável. Acredite, você teria problemas e burocracias mil simplesmente ao mandar uma simples foto sua via e-mail seja lá pra quem fosse. Passando um pano por cima, o projeto só transformaria este veículo das milhões de possibilidades que é a internet numa coisa tão útil para nossos cérebros quanto a televisão da sua sala. Eu até diria que o senador Eduardo Azeredo é só um simples ignorante de boas intenções, diria sim, mas se não houvessem por trás dos projetos dele, magnatas dos direitos autorais e grandes empresas de informática, soa no mínimo suspeito. Simplificando mais, é como se grampeassem todos os telefones pra evitar crimes. Ou seja, a típica manobra burra de governo que não tem competência e não cuida dos filhos seus, algo do tipo: "quem usa drogas é quem financia o tráfico" - ridículo, é como dizer que pra acabar com a aids, basta parar de transar. Eu nunca ví campanha na TV dizendo: "Campanha por um governo melhor, que educa e dá condições intelectuais pra que o povo não precise traficar pra ter o que comer" Mas não, é mais fácil a puta jogar a culpa nos filhos dela. Talvez o Senador não perceba que o mesmo cara que trafica por necessidade é o brutamontes que dá tapa na cara da mãe na frente do filho, criando um adulto problemático capaz de molestar crianças. O governo é que fabrica traficantes, o usuário tem culpa nenhuma. E pais indignados e desprovidos de um intelecto melhor que são fábricas de pedófilos. Mas o senador diz que a culpa é da internet.
E visto que, os blogs da vida são fontes cada vez mais sérias e seguras de informação, não demoraria nada pra incluírem um ítem no apelidado AI-5 digital de Azeredo, proibindo os pobres mortais sem quadrinho com diploma de jornalista na parede, de expor suas próprias idéias e informações através de blogs. É a censura disfarçada deixando de existir só na Televisão e tentando invadir, com passos de quem não quer nada, este espaço que é o único realmente democrático que nos é permitido. Ainda.
Pra entender melhor:
Eu tenho um egoísmo ridículo que sei que é apenas reflexo de um sistema furado e sem jeito que é o Brasil, não levantaria a bandeira por nada contra governo nenhum simplesmente porquê tenho preguiça dessas coisas, eu faço parte da geração que aprendeu que nada funciona e nunca vai funcionar honestamente quando o assunto é política. Morando fora eu ví que no Brasil desonestidade na política é cultural e o povo quer mesmo é samba e futebol. Eu sou da geração sem esperanças, chame como quiser, não ligo balhufas pra política e não, não adianta me criticar porquê a culpa não é minha. Mas sou da geração que aprendeu mais na internet do que na escola ou faculdade e por essa causa eu até bancaria o chinês na frente de um tanque na praça da paz. Com certeza.
domingo, 28 de junho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
Proibido é mais gostoso.
Já me era sabido que dentro de shopping não pode filmar sem autorização dos responsáveis. Coisa que eu já tinha, mas mesmo assim:
_ Não pode filmar aqui dentro.
_ Posso sim, tô cobrindo a exposição do SEBRAE sobre Sergipe.
_ Me acompanha.
_ Mais uma vez? Vocês não se comunicam com esse radinho aí? É a segunda vez.
E o pau mandado me levou até outro pau mandado acima dele que confirmou, pela segunda vez que, sim, eu tinha autorização pra fazer imagens da exposição no interior do shopping. Até pensei em pedir algo por escrito pois não sabia até onde minha paciência iria e quantos seguranças teria de acompanhar pra poder fazer as imagens sossegado. Voltei filmando tudo, disfarçando uma hora ou outra e filmando. Praça de alimentação, transeuntes felizes, madames com seus orgasmos consumistas, adolescentes com aqueles cabelos, meu Deus, aquele cabelo. Eu, que quando moleque me achava rei do mundo com minhas calças rasgadas e meu all-star sujo, pergunto: Caralho, o que é aquele cabelinho e aquele olho pintado? Que o tempo me dê mais tolerância porque se der bom senso eu passo rasteira num filho meu, soa muito ridículo pra ser simples rebeldia adolescente. Filmei tudo, até o segurança, de longe, claro. Fazia algumas imagens da exposição e quase sem perceber já estava colocando a câmera no chão pra filmar aquele mundo de pés indo e vindo ou aquela loira que babava diante da vitrine com o filho no colo, aposto que pensava em dividir em 12 parcelas aquilo que desejava; moça nova, sozinha num shopping, com um filho no colo, grávida e com as raízes do cabelo por fazer, aposto que seria em 12 vezes no cheque - nada como a arte humana de pré-conceituar. E fiquei lá, filmando tudo que realmente não precisava, só porque me disseram que não pode. Até penso em editar e vender pedindo grana alta aos seguranças, isso deve valer horrores pra eles. Horrores.
_ Não pode filmar aqui dentro.
_ Posso sim, tô cobrindo a exposição do SEBRAE sobre Sergipe.
_ Me acompanha.
_ Mais uma vez? Vocês não se comunicam com esse radinho aí? É a segunda vez.
E o pau mandado me levou até outro pau mandado acima dele que confirmou, pela segunda vez que, sim, eu tinha autorização pra fazer imagens da exposição no interior do shopping. Até pensei em pedir algo por escrito pois não sabia até onde minha paciência iria e quantos seguranças teria de acompanhar pra poder fazer as imagens sossegado. Voltei filmando tudo, disfarçando uma hora ou outra e filmando. Praça de alimentação, transeuntes felizes, madames com seus orgasmos consumistas, adolescentes com aqueles cabelos, meu Deus, aquele cabelo. Eu, que quando moleque me achava rei do mundo com minhas calças rasgadas e meu all-star sujo, pergunto: Caralho, o que é aquele cabelinho e aquele olho pintado? Que o tempo me dê mais tolerância porque se der bom senso eu passo rasteira num filho meu, soa muito ridículo pra ser simples rebeldia adolescente. Filmei tudo, até o segurança, de longe, claro. Fazia algumas imagens da exposição e quase sem perceber já estava colocando a câmera no chão pra filmar aquele mundo de pés indo e vindo ou aquela loira que babava diante da vitrine com o filho no colo, aposto que pensava em dividir em 12 parcelas aquilo que desejava; moça nova, sozinha num shopping, com um filho no colo, grávida e com as raízes do cabelo por fazer, aposto que seria em 12 vezes no cheque - nada como a arte humana de pré-conceituar. E fiquei lá, filmando tudo que realmente não precisava, só porque me disseram que não pode. Até penso em editar e vender pedindo grana alta aos seguranças, isso deve valer horrores pra eles. Horrores.
sábado, 20 de junho de 2009
Som e Fúria - "Plim-plim."
Acabei de ver a vinheta da nova série da Globo, vai ser do caralho. Eu sei que você está duvidando e dizendo que é só mais um, mas é só porque ainda não viu a vinheta. Eu entendo, as pessoas costumam dúvidar do que não conhecem mesmo. E também não sabe que quem dirigiu foi Fernando Meirelles. E agora que sabe, mudou de opinião e talvez até concorde sem ao menos conhecer a vinheta. Eu entendo, as pessoas são estagnadas em grandes figuras mesmo. Normal. Eu entendo e até me incluo.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Sobre uma frase do Tas.
Marcelo Tas, na minha modesta e desnecessária opinião é o maior exemplo do que são as mídias on-line, e deveria ter sua careca estampada em botons e bandeiras numa possível guerra no AI-5 Digital, porquê o cara representa a classe blogueira, com classe, além de ser um dos sujeitos mais seguidos no Twitter e com certeza não gostaria de gente criando leis ignorantes e refutáveis para o mundo digital. Ele sempre se mostrou apaixonado pelas mídias que estes espaços virtuais nos permitem. Quando eu ainda postava no meu antigo blog, uma das minhas leituras favoritas eram as letras do blog deste careca que hoje comanda a bancada de um dos poucos programas que valem uns minutinhos em frente à Tv aberta - o CQC. Aliás, naquele tempo, meu respeito pelo sujeito vinha de um dos seus personagens. Sem querer deixar o professor Tibúrcio chateado, mas não é dele que falo. O personagem é Ernesto Varela, na qual ele colocava políticos e pessoas importantes (juro que separei "pessoas importantes" de "políticos" sem perceber, uma pena, mas esse país me fez assim) em situações constrangedoras com humor e inteligência. Curiosamente e talvez não por acaso, hoje Tas comanda uma trupe que faz a mesma coisa, mais precisamente com Danilo Gentilli. Lembro dos vídeos do Ernesto e naquela época Paulo Maluf era alvo fácil. E hoje, ainda é alvo e pelos mesmos motivos, a este fato nada se atribui ao acaso, é descaso mesmo, dos mais tristes, mas devo parar por aqui porque eu falando de política é o Nx zero querendo falar sobre as palavras de Chico. Se é que me entende.
Hoje quando assistia o noticiário na TV descobri que déjà-vus vão ser cada vez mais frequentes em frente a televisão. Mamãe veio passar uns dias comigo e foi pra ela que eu disse, com aquela arrogância que me é peculiar: "nossa, já sei de tudo isso que noticiaram." E foi aí que me lembrei de Marcelo Tas postando via twitter algo como: "Qualquer indivíduo como fonte de informação é fato inevitável". Sim, fato inevitável e real. Foi por meio de pessoas normais que espalham links numa velocidade incrível, via twitter, que eu pude desfrutar de um momento filhinho bem informado diante da mamãe.
Mas a microblogagem do twitter não é só fazedora de pequenos arrogantes que sabem tudo antes mesmo de sair da boca do casal Bonner. É também arma contra as mazelas e censuras do mundo: clique. Dá uma olhada no link e veja o grau de boas possibilidades contra a censura que o twitter está dando para os iranianos. Mas o bom mesmo, é parecer bem informado para a mamãe.
Ah, só pra constar, taí o Personagem: Ernesto Varela de Marcelo Tas, nos tempos em que ele ainda tinha cabelo.
Hoje quando assistia o noticiário na TV descobri que déjà-vus vão ser cada vez mais frequentes em frente a televisão. Mamãe veio passar uns dias comigo e foi pra ela que eu disse, com aquela arrogância que me é peculiar: "nossa, já sei de tudo isso que noticiaram." E foi aí que me lembrei de Marcelo Tas postando via twitter algo como: "Qualquer indivíduo como fonte de informação é fato inevitável". Sim, fato inevitável e real. Foi por meio de pessoas normais que espalham links numa velocidade incrível, via twitter, que eu pude desfrutar de um momento filhinho bem informado diante da mamãe.
Mas a microblogagem do twitter não é só fazedora de pequenos arrogantes que sabem tudo antes mesmo de sair da boca do casal Bonner. É também arma contra as mazelas e censuras do mundo: clique. Dá uma olhada no link e veja o grau de boas possibilidades contra a censura que o twitter está dando para os iranianos. Mas o bom mesmo, é parecer bem informado para a mamãe.
Ah, só pra constar, taí o Personagem: Ernesto Varela de Marcelo Tas, nos tempos em que ele ainda tinha cabelo.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Natural x Social.
"O erotismo é a chave que desvenda aspectos fundamentais da natureza humana, uma vez que se encontra no limite entre o natural e o social, o humano e o não-humano."
Georges Bataille.
Georges Bataille.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
E assim a gente não sai.
Bom mesmo é paixão no sofá da sala. Respiração funda e olho no olho. Tão próximo que faço daqueles olhos um espelho, e alí faço meu mundo, nos olhos que brilham, pequenas órbitas, dois mundos. Um mundo caindo e eu alí, caindo naquele mundo. Me vendo ofegante no reflexo, tão próximo, não só de distâncias mas de almas também, o brilho é importante porque é preciso também enxergar-se alí. Duas almas se olhando e achando tudo aquilo eterno.
Uma pena, mas essa vida ficou cedo demais pra falar de amor. A idéia desse cume de sentimentos é uma poeira muito fina, uma idéia tão vaga quanto dar poemas àqueles que não estão aí pro coração, se esvai num sopro como se fosse nada e a poeira some no ar. E não se fala de Amor no meio da vida, porquê Amor é final. Acho que é uma idéia que a gente só alcança quando tudo acaba, quando desistimos dos quereres, no final mesmo. Quando aceitamos - pela força do tempo - a beleza e os desafios da alma do outro, e assim nos veremos amando, quase sem perceber. E que todo mundo possa falar do Amor eterno um dia. Até lá nós vamos de sofá mesmo, sempre achando que o Amor chegou.
Uma pena, mas essa vida ficou cedo demais pra falar de amor. A idéia desse cume de sentimentos é uma poeira muito fina, uma idéia tão vaga quanto dar poemas àqueles que não estão aí pro coração, se esvai num sopro como se fosse nada e a poeira some no ar. E não se fala de Amor no meio da vida, porquê Amor é final. Acho que é uma idéia que a gente só alcança quando tudo acaba, quando desistimos dos quereres, no final mesmo. Quando aceitamos - pela força do tempo - a beleza e os desafios da alma do outro, e assim nos veremos amando, quase sem perceber. E que todo mundo possa falar do Amor eterno um dia. Até lá nós vamos de sofá mesmo, sempre achando que o Amor chegou.
A frieza do relógio.
Ela e a hora
Eram certas, corretas
me eram, sei que eram.
A hora e ela.
Lugares nunca me importaram.
Mas meus dias tinham horas de atraso.
Eram certas, corretas
me eram, sei que eram.
A hora e ela.
Lugares nunca me importaram.
Mas meus dias tinham horas de atraso.
Ou então já fui um pinguim.
Eu não sei brincar de amores, por quê? Levo tão a sério quanto dignidade, respeito, confiança, essas coisas. É a índole herdada, só pode. Um porre só. Poderia ter sido como meus pais em outras áreas, sei-lá. Gostar das mesmas coisas que todos gostam, fazer o que todos fazem, gostar da responsabilidade que todos têm - não que eu não tenha, só nao gosto de ter - ouvir os mais velhos. Mas não, sempre querendo o contrário. E foi bem lá, nas redondezas do coração que eu fui ter esse conservadorismo barato que o papai e a mamãe ensinam. Careta pra caralho. Um velho. Desses chatos que acham um absurdo a evolução cultural da espécie. Sabe? Um porre só.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Sobre colocar os planos em dia.
Sabia-se dos dias rotineiros, dos amigos no fim-de-semana, do respeito que tem por eles e da delícia de ser respeitado. Já não incomodava tanto a rotina esmagadora - incomodava um pouco, mas a mesmisse acalma qualquér indivíduo que queira reclamar. Era tudo muito claro, as coisas boas eram simples coisas boas e, aos empecilhos da alma, havia dias em que tudo era até aceitável, embora raro, mas havia. Sabia-se da própria vida, dos planos que sofriam guardados na gaveta por falta de tempo, sabia também do pecado que cometia deixando seus planos acomodados à um amontoado de meias. De meias. Antes fosse meias-verdades, mas são meias comuns, dessas que gente guarda na gaveta quando não está no pé. E antes fossem pecados aos Deuses, mas é desses que a gente comete contra a própria vida, quando a vida não está no pé, muito menos em nós. E a gente fica assim, mal da cabeça. E doente do pé.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
... dessas e de muitas outras.
Ela folheava a revista sem vontade alguma, não tinha a menor intenção de parar em qualquer página que fosse, só tinha por hábito fazer aquilo com o que estivesse ao seu alcance. Era isso que estava alí, no balcão largo da livraria que servia o melhor café daquele shopping.
Ele entrou rápido - na mesma hora ela levava a xícara da mesa à boca - e foi direto ao setor que lhe interessava, com passos de quem sabe o que foi fazer alí, direto ao ponto. Nem sequer pensaria em entrar naquela livraria se não fosse aquele livro que lhe indicaram. Não entraria em lugar algum se não fosse com um objetivo certo. Nunca foi desses que entram pra olhar, nunca foi desses que passeiam em shopping.
Ela, com a xícara ainda entre a mesa e a boca, viu ele saindo da livraria e pode perceber que ele a olhara com o canto dos olhos com uma indiferença digna de quem realmente não precisa de ninguém. Ela sentiu uma sensação estranha quando percebeu que, não só a xícara permaneceu alí parada, quase flutuando junto a seus pensamento, como a página da revista era exatamente a mesma quando ele entrou. Confusa, ela tentava entender se aquele rapaz teria feito tudo muito rápido ou se foi o mundo dela que havia parado naquele instante. De coração magro, sabia que aquilo não lhe ocorria há muito tempo. Em suas experiências amorosas, aprendeu bem que aquela indiferença toda era receita certa pra uma paixão fulminante.
Ele, a caminho de casa, passava as páginas daquele livro, à toa, só pra não correr o risco de ver um conhecido qualquer e ter de enfrentar o porre das relações sociais. E por um instante dedicou alguns segundos àquela criatura sentada no balcão da livraria, com seu julgamento barato, tentava entender o que teria de bom a oferecer, gente que lê revistas de beleza...
A vida tem dessas.
Ele entrou rápido - na mesma hora ela levava a xícara da mesa à boca - e foi direto ao setor que lhe interessava, com passos de quem sabe o que foi fazer alí, direto ao ponto. Nem sequer pensaria em entrar naquela livraria se não fosse aquele livro que lhe indicaram. Não entraria em lugar algum se não fosse com um objetivo certo. Nunca foi desses que entram pra olhar, nunca foi desses que passeiam em shopping.
Ela, com a xícara ainda entre a mesa e a boca, viu ele saindo da livraria e pode perceber que ele a olhara com o canto dos olhos com uma indiferença digna de quem realmente não precisa de ninguém. Ela sentiu uma sensação estranha quando percebeu que, não só a xícara permaneceu alí parada, quase flutuando junto a seus pensamento, como a página da revista era exatamente a mesma quando ele entrou. Confusa, ela tentava entender se aquele rapaz teria feito tudo muito rápido ou se foi o mundo dela que havia parado naquele instante. De coração magro, sabia que aquilo não lhe ocorria há muito tempo. Em suas experiências amorosas, aprendeu bem que aquela indiferença toda era receita certa pra uma paixão fulminante.
Ele, a caminho de casa, passava as páginas daquele livro, à toa, só pra não correr o risco de ver um conhecido qualquer e ter de enfrentar o porre das relações sociais. E por um instante dedicou alguns segundos àquela criatura sentada no balcão da livraria, com seu julgamento barato, tentava entender o que teria de bom a oferecer, gente que lê revistas de beleza...
A vida tem dessas.
sábado, 30 de maio de 2009
Ócio.
Documentário já em casa: Vida e obra de Hunter S. Thompson, pai da escrita gonzo, e o que é melhor: legendado.
Passei quase a semana inteira em cima de dois projetos que nunca acabam - acho que a vida passa a ser ordinária quando a recompensa ou dinheiro não dão menor ânimo pra terminar certos trabalhos - e durante a semana, por conta da falta de tempo pra ler, favoritei alguns blogs relacionados ao jornalismo de Thompson, impróprio para a lógica de operação dessa máquina cretina que é o pano de fundo de nossas vidas felizes: as mídias convencionais.
Portanto, hoje me dedicarei somente a isso, incluindo o documentário. E que se fodam os clientes e os projetos profissionais, isso pode esperar. A minha vida não.
Apaixonado pelas diversas formas e estilos que o homem, este macaco pelado, inventou para sintetizar seus anseios e dores em palavras, pergunto: Como escreveria um Gonzo apaixonado?
Passei quase a semana inteira em cima de dois projetos que nunca acabam - acho que a vida passa a ser ordinária quando a recompensa ou dinheiro não dão menor ânimo pra terminar certos trabalhos - e durante a semana, por conta da falta de tempo pra ler, favoritei alguns blogs relacionados ao jornalismo de Thompson, impróprio para a lógica de operação dessa máquina cretina que é o pano de fundo de nossas vidas felizes: as mídias convencionais.
Portanto, hoje me dedicarei somente a isso, incluindo o documentário. E que se fodam os clientes e os projetos profissionais, isso pode esperar. A minha vida não.
Apaixonado pelas diversas formas e estilos que o homem, este macaco pelado, inventou para sintetizar seus anseios e dores em palavras, pergunto: Como escreveria um Gonzo apaixonado?
terça-feira, 26 de maio de 2009
Os rótulos dos instintos: paixão.
Doloroso seria se fosse demorar mais pra sair de dentro do peito, mas já é quase nada. É bom quando a coisa vem pra dentro da gente tão rápido, ruim é quando não é gostoso que ela permaneça dentro. Ruim simplesmente porque não acontece da forma que a gente quer, aí eu fico querendo crer que essas coisas que fazem perder a razão sejam simples reações corporais, sabe? Dessas reações que dão no cérebro. Fico imaginando aquela coisa metódica pra dar resposta ao que me aconteceu: um quadro negro e alguém explicando que isso tudo é simplesmente dopamina sendo liberada, somente meu instinto de perpetuar a espécie saindo pelas entranhas, e o homem, com essa capacidade e essa mania estranha de dar poesia e rotular as coisas, chamou de paixão. Eu me esforço pra não levar esse metodismo ao coração, porque essa verdade metódica pode até ser o melhor remédio para as paixonites da vida, mas está longe de ser a exatidão mais bonita. E eu quero sempre o mais belo, mesmo que sozinho e com graça nenhuma.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Em rima.
amor, então,
também acaba?
não, que eu saiba.
o que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva
ou em rima.
caprichos & relaxos - Paulo Leminski
também acaba?
não, que eu saiba.
o que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva
ou em rima.
caprichos & relaxos - Paulo Leminski
Roubaram meu conformismo.
Eu quero a cura pra essa minha queda pelo contrário, meu amor pelo inverso. Quero ser natural também em ares comuns e não só quando nadando contra a corrente. Quero a cura para o que classificaram rebeldia. Eu quero a cura pro meu repúdio a gente que só veste porque os outros vestem, que ouve, porque os outros ouvem. A cura pro meu nojo de gente que tem medo do pecado - e também quero uma explicação para o que é o pecado. Eu quero distância da minha discordância sobre tudo que já foi estabelecido por outros, sem que me perguntassem nada, se concordo ou não. Nunca me perguntaram, sequer uma vez. E assim, me tornaram um defeito em meio aos outros. E quem é que decidiu que eu seria um defeito? Quem é que jogou o certo e o errado num balaio, chacoalhou, e tirou de dentro os comportamentos ideais? Depois deu nome aos que não se encaixaram a esses comportamentos: pecadores, problemáticos, rebeldes, a gangue do Padre Amaro.
A minha individualidade não permite que eu me encaixe. Eu quero a cura pra minha individualidade, pra minha teimosia. A cura pro meu egoísmo, que não sei se é tão egoísta assim. Eu quero a cura pro meu ceticismo, quero ter fé. Quero pedir a Deus que me cure, ou então que cure as pessoas, a massa, e quero poder acreditar que Deus funciona mesmo - eu venho desejando tal conforto. E que me mande ao inferno pela minha dúvida, mas vem dizer se sou eu mesmo que precisa de cura. E caso não seja, eu quero todos os meus dias de volta, dias em que eu estive neste mesmo inferno, banhado em culpa por achar que precisava de cura. Porque depois de tanto tempo sentindo isso, é inaceitável que essa minha culpa e o meu incomodo diante dos comportamentos ditos ideais, tenham sido assim, tão desnecessários.
A minha individualidade não permite que eu me encaixe. Eu quero a cura pra minha individualidade, pra minha teimosia. A cura pro meu egoísmo, que não sei se é tão egoísta assim. Eu quero a cura pro meu ceticismo, quero ter fé. Quero pedir a Deus que me cure, ou então que cure as pessoas, a massa, e quero poder acreditar que Deus funciona mesmo - eu venho desejando tal conforto. E que me mande ao inferno pela minha dúvida, mas vem dizer se sou eu mesmo que precisa de cura. E caso não seja, eu quero todos os meus dias de volta, dias em que eu estive neste mesmo inferno, banhado em culpa por achar que precisava de cura. Porque depois de tanto tempo sentindo isso, é inaceitável que essa minha culpa e o meu incomodo diante dos comportamentos ditos ideais, tenham sido assim, tão desnecessários.
Música.
É aquela velha história: não tem nada pra dizer, cita alguém ou recomenda um disco. Sabe? Mentira, é que fez-se necessário mesmo, não gosto de "posts recomendações" mas a banda é muito very good too much demais da conta:
Heitor e Banda Gentileza.
É o nome da banda que tenho amado pra vida inteira, nem que só por um instante, eternamente nos meus fones, Huehuhe! - pra ouvir música tem que ser mais ou menos assim, né?
www.heitorebandagentileza.com.br - No site rola todas as músicas para download, adoro todas, mas só pra destacar a minha favorita: "Coracion" - a segunda pra download no site. Mas é sério, baixe todas que são boas. Se não conseguir baixar me procura aqui: tuzijp@gmail.com - que eu mando os dois albuns.
Pronto, recomendei. E não tinha nada pra dizer mesmo.
Mas me escuta, rapaz! É BÃO demais. Recomendação da amiga Giovana Fixous, que é sempre boa. Uma pena não terem tocado na Virada Cultural.
Heitor e Banda Gentileza.
É o nome da banda que tenho amado pra vida inteira, nem que só por um instante, eternamente nos meus fones, Huehuhe! - pra ouvir música tem que ser mais ou menos assim, né?
www.heitorebandagentileza.com.br - No site rola todas as músicas para download, adoro todas, mas só pra destacar a minha favorita: "Coracion" - a segunda pra download no site. Mas é sério, baixe todas que são boas. Se não conseguir baixar me procura aqui: tuzijp@gmail.com - que eu mando os dois albuns.
Pronto, recomendei. E não tinha nada pra dizer mesmo.
Mas me escuta, rapaz! É BÃO demais. Recomendação da amiga Giovana Fixous, que é sempre boa. Uma pena não terem tocado na Virada Cultural.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
"Quantos defeitos sanados com o tempo..."
A verdade é que eu tenho saudade dos meus defeitos infantís, que só são defeitos por não se encaixarem na lógica de operação da sociedade em que vivo. Saudade de achar que o problema são os outros, que carnaval é uma merda, que a vida seria muito mais interessante se fizéssemos o que desse na telha. Saudade de pensar só em mim e quando for dormir, usar meu próprio ego como travesseiro. Isso mesmo.
Sorrir em meio as relações sociais é sempre uma batalha, a diferença de hoje dos tempos em que sinto saudade, é que hoje eu sustento um sorriso social besta na cara, que talvez nem seja meu. Hoje eu fiquei umas 4 horas com uma cliente, vou adorar ver o sorriso no rosto dela depois que terminar de compor o vídeo que ela me pediu, e o processo todo de composição também me é prazer. Mas a vida vai ficando amarga com o tempo e no pacote dos prazeres a danada sempre há de colocar algo desagradável, o cliente vem junto. Era uma mulher simpática, legal. Mas eu não sei o motivo que faz com que eu não sinta a menor necessidade de ser o mesmo com ela, mas eu fui, mesmo sem essa necessidade. E a saudade é dos tempos em que eu só era algo, se fosse com naturalidade. Ah, quem dera de volta a minha imaturidade. Pois toda imaturidade é natural, e toda responsabilidade é uma necessidade do meio em que vivemos, e não uma necessidade nossa. Percebe quanto o mundo vai ficando feio à medida que crescemos? Caminhamos ao não natural das relações que nos rodeiam. Caminhamos a grandes responsabilidades.
É claro que sinto saudades da minha rebeldia em não aceitar as pequenas coisas desagradáveis da vida, mas também é claro, muito claro, que se rebelando ou aceitando, sempre haverá descontentamento, com ou sem responsabilidades. É o que a vida ensina. E hoje, pelo menos por hoje, eu não quero escrever a ninguém para prestar atenção só às coisas belas da vida. Porquê este é um post nostálgico aos tempos do meu antigo "foda-se", que eram muito mais foda-se que o dos dias de hoje. Um post em homenagem aos antigos e belos defeitos curados e um brinde à imaturidade.
Bons tempos aqueles.
Sorrir em meio as relações sociais é sempre uma batalha, a diferença de hoje dos tempos em que sinto saudade, é que hoje eu sustento um sorriso social besta na cara, que talvez nem seja meu. Hoje eu fiquei umas 4 horas com uma cliente, vou adorar ver o sorriso no rosto dela depois que terminar de compor o vídeo que ela me pediu, e o processo todo de composição também me é prazer. Mas a vida vai ficando amarga com o tempo e no pacote dos prazeres a danada sempre há de colocar algo desagradável, o cliente vem junto. Era uma mulher simpática, legal. Mas eu não sei o motivo que faz com que eu não sinta a menor necessidade de ser o mesmo com ela, mas eu fui, mesmo sem essa necessidade. E a saudade é dos tempos em que eu só era algo, se fosse com naturalidade. Ah, quem dera de volta a minha imaturidade. Pois toda imaturidade é natural, e toda responsabilidade é uma necessidade do meio em que vivemos, e não uma necessidade nossa. Percebe quanto o mundo vai ficando feio à medida que crescemos? Caminhamos ao não natural das relações que nos rodeiam. Caminhamos a grandes responsabilidades.
É claro que sinto saudades da minha rebeldia em não aceitar as pequenas coisas desagradáveis da vida, mas também é claro, muito claro, que se rebelando ou aceitando, sempre haverá descontentamento, com ou sem responsabilidades. É o que a vida ensina. E hoje, pelo menos por hoje, eu não quero escrever a ninguém para prestar atenção só às coisas belas da vida. Porquê este é um post nostálgico aos tempos do meu antigo "foda-se", que eram muito mais foda-se que o dos dias de hoje. Um post em homenagem aos antigos e belos defeitos curados e um brinde à imaturidade.
Bons tempos aqueles.
domingo, 26 de abril de 2009
"Socorro, não estou sentindo nada."
Qualquer senhor sentado num banco de praça voltaria ao seu vigor se estiver apaixonado.
E eu, um cara com duas décadas de vida afirmando coisas? Pois bem. Se até a cegueira que tal estado emocional nos proporciona ganha certa beleza. Se até os dias mais monótonos ganham vida. A borboleta que nos dias de menos calor no coração, é somente borboleta, passa à condição de "espécie cambaleante no céu, de um amarelo único, capaz de alegrar uma vida, e até um comentário ao amigo do lado: "borboletas vivem somente o hoje, sabia?". Quer poesia maior que esta observação? Não terá se ela vier de alguém apaixonado - e essa é uma observação só permitida aos apaixonados, exclusividades do coração.
As coisas se transformam. E se há tanta transformação assim nesses dias de calor no coração, por que não dar chance às batidas suaves daquele velhino sentado na praça? Eu tenho que acreditar que paixões revigorantes voltarão sempre aos nossos corações, calejados ou não.
É isso que eu quero pro resto da minha vida. Não estou a procura de alguém, e sim, de um sentimento.
E eu, um cara com duas décadas de vida afirmando coisas? Pois bem. Se até a cegueira que tal estado emocional nos proporciona ganha certa beleza. Se até os dias mais monótonos ganham vida. A borboleta que nos dias de menos calor no coração, é somente borboleta, passa à condição de "espécie cambaleante no céu, de um amarelo único, capaz de alegrar uma vida, e até um comentário ao amigo do lado: "borboletas vivem somente o hoje, sabia?". Quer poesia maior que esta observação? Não terá se ela vier de alguém apaixonado - e essa é uma observação só permitida aos apaixonados, exclusividades do coração.
As coisas se transformam. E se há tanta transformação assim nesses dias de calor no coração, por que não dar chance às batidas suaves daquele velhino sentado na praça? Eu tenho que acreditar que paixões revigorantes voltarão sempre aos nossos corações, calejados ou não.
É isso que eu quero pro resto da minha vida. Não estou a procura de alguém, e sim, de um sentimento.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
As medidas da humanidade. [parte 1]
A medida da humanidade, para mim, é a medida do desnecessário. Balhufas para as definições de humanidade que vejo por aí dizendo que o homem é o único animal racional, o único que ri, essas coisas.
Para mim, o homem só é o homem porque pode se dedicar com desvelo ao que não é necessário.
As milhões de possibilidades que temos sobre tudo só se deve a isso. Desde este blog até o homem na lua, só são possíveis pela liberdade e poder que temos sobre dedicar-se ao que é desnecessário.
Esse é o grande diferencial, essa é a medida, a arte do supérfluo
Então, aproveite.
Para mim, o homem só é o homem porque pode se dedicar com desvelo ao que não é necessário.
As milhões de possibilidades que temos sobre tudo só se deve a isso. Desde este blog até o homem na lua, só são possíveis pela liberdade e poder que temos sobre dedicar-se ao que é desnecessário.
Esse é o grande diferencial, essa é a medida, a arte do supérfluo
Então, aproveite.
domingo, 5 de abril de 2009
Muita estrela pra pouca constelação.
Finalmente editando pra mim mesmo, em casa. Mas só pra dizer que agora sobra mais tempo para as minhas curiosidades, meus planos e que se houver ócio que ele seja criativo. E acho que agora, depois de editar e compor muita coisa que dísta kilômetros do que me é prazer, finalmente vou poder compor aquelas sequências de quadros por segundo, aqueles vídeos, que representam as minhas matutadas. Sim, porquê eu não penso. Eu matuto. Pensar é pra gente inteligente.
Há alguns meses eu fui no Sesc numa espécie de releitura de alguns festivais do minuto, vídeos sortidos, aleatórios, nada selecionado. Confesso que gostaria que fossem selecionados, pois sempre há um quê de perda de tempo quando o curta é ruim. Mas, o que é ruim? É claro que eu tenho o meu leque de opções pra dizer o que é ruim, e você tem o seu e provavelmente ele não se iguala ao meu. Talvez eu diga que o ruim é aquele do assunto desnecessário e você aponte o dedo para aquele com o assunto do momento: aquecimento global. Dizendo que já é clichê, dizendo que já encheu o saco, talvez com um pouco de receio, pois além de cheio, seu saco estará suado. Embora a máxima "há gosto pra tudo" perpetue em meio a toda manifestação humana - com razão - o mal gosto e a falta do que dizer não me descem com tanta facilidade.
Enfim.
Que os assuntos sejam sempre diversos e que o abstrato, o surreal, estejam sempre em nossas manifestações de seja lá qual for a forma de expressão. Mas o que há de tão bom no vazio? Talvez em arte, o nada e o vazio sempre serão alguma coisa. Mas naquela sala de cinema eu percebí uma torrente de vídeos que fingem querer nos dizer algo pra na hora do orgasmo, não nos dizer nada. A valorização excessiva dos conteúdos(?) "nada" ou "vazio", soam como uma necessidade besta de parecer inteligente, ou "cult" - como os valorizadores dessas idéias preferem chamá-la.
Ou então talvez eu não tenha sensibilidade o suficiente para tanto... Para entendê-los. Talvez seja coisa pra quem pensa. Eu só matuto.
Só pra complementar o que eu disse, com um pouco de humor. Assistam:
Vídeo de Vitor Alli

Há alguns meses eu fui no Sesc numa espécie de releitura de alguns festivais do minuto, vídeos sortidos, aleatórios, nada selecionado. Confesso que gostaria que fossem selecionados, pois sempre há um quê de perda de tempo quando o curta é ruim. Mas, o que é ruim? É claro que eu tenho o meu leque de opções pra dizer o que é ruim, e você tem o seu e provavelmente ele não se iguala ao meu. Talvez eu diga que o ruim é aquele do assunto desnecessário e você aponte o dedo para aquele com o assunto do momento: aquecimento global. Dizendo que já é clichê, dizendo que já encheu o saco, talvez com um pouco de receio, pois além de cheio, seu saco estará suado. Embora a máxima "há gosto pra tudo" perpetue em meio a toda manifestação humana - com razão - o mal gosto e a falta do que dizer não me descem com tanta facilidade.
Enfim.
Que os assuntos sejam sempre diversos e que o abstrato, o surreal, estejam sempre em nossas manifestações de seja lá qual for a forma de expressão. Mas o que há de tão bom no vazio? Talvez em arte, o nada e o vazio sempre serão alguma coisa. Mas naquela sala de cinema eu percebí uma torrente de vídeos que fingem querer nos dizer algo pra na hora do orgasmo, não nos dizer nada. A valorização excessiva dos conteúdos(?) "nada" ou "vazio", soam como uma necessidade besta de parecer inteligente, ou "cult" - como os valorizadores dessas idéias preferem chamá-la.
Ou então talvez eu não tenha sensibilidade o suficiente para tanto... Para entendê-los. Talvez seja coisa pra quem pensa. Eu só matuto.
Só pra complementar o que eu disse, com um pouco de humor. Assistam:
Vídeo de Vitor Alli
sábado, 4 de abril de 2009
"O poeta, só é grande se sofrer" ?
A necessidade de externar, como dito no post anterior. Só é válida e criativa se houver sofrimento? Não sei. Mas quem disse que o poeta almeja ser grande?
Em mim só há uma necessidade boba, uma espécia de vaidade com aquilo que penso, como alguém que só quer mostrar a camiseta nova, que foi escolhida por alguns bons motivos: a cor, o desenho fora do comum e do óbvio, e depois contar o porque dessas escolhas. Meu sofrimento é pouco e é bobagem, quase nada. Mas talvez haja beleza em ser apaixonado pelos fantasmas que me rodeiam a qualquer hora do dia, talvez haja beleza em contar o porque escolhi aquela roupa - ou porque me ocorreu tal pensamento - mesmo que só a escrita daqueles que nunca foram felizes me satisfaça, não posso concordar que se deve esperar sofrer, pra sintetizar em palavras aquilo que sentimos. É certo que só a dor promove grandiosidade ao que nós - um bando de macacos pelados - chamamos de escrita, de arte, é só olhar pra trás e acompanhar a história. Mas quem quer grandiosidade? Eu só quero essa coragem de sempre, a de não ter medo de parecer ridículo. Piegas. Mesmo que saiba que talvez eu não pareça, que talvez eu seja. Eu não ligo, a inquietação do que me é sentimento é maior do que me é vaidade.
Em mim só há uma necessidade boba, uma espécia de vaidade com aquilo que penso, como alguém que só quer mostrar a camiseta nova, que foi escolhida por alguns bons motivos: a cor, o desenho fora do comum e do óbvio, e depois contar o porque dessas escolhas. Meu sofrimento é pouco e é bobagem, quase nada. Mas talvez haja beleza em ser apaixonado pelos fantasmas que me rodeiam a qualquer hora do dia, talvez haja beleza em contar o porque escolhi aquela roupa - ou porque me ocorreu tal pensamento - mesmo que só a escrita daqueles que nunca foram felizes me satisfaça, não posso concordar que se deve esperar sofrer, pra sintetizar em palavras aquilo que sentimos. É certo que só a dor promove grandiosidade ao que nós - um bando de macacos pelados - chamamos de escrita, de arte, é só olhar pra trás e acompanhar a história. Mas quem quer grandiosidade? Eu só quero essa coragem de sempre, a de não ter medo de parecer ridículo. Piegas. Mesmo que saiba que talvez eu não pareça, que talvez eu seja. Eu não ligo, a inquietação do que me é sentimento é maior do que me é vaidade.
Do outro lado do mundo.
Não lembro de quando é o texto, mas peguei do meu blog que eu escrevia no Japão. E faz parte de mim. Uma época em que não havia amigos pra conversar. O término de namoro mais doloroso da vida, a vontade de ir embora daquele país, e uma necessidade imensa de externar aquilo que eu sentia. Merece estar aqui no blog novo.
"Antes de qualquer coisa, gostaria de dizer que sinto muito. Sinto em ter de dizer que nada tenho a dizer, que tudo o que sempre acreditei hoje nada significa para mim. Que a vida cresceu demais, o mundo se transformou, e eu continuo aquela criança de sempre, que ainda chora ao sentir que as coisas não saíram como ela queria, que sente medo e tristeza diante de qualquer frustração. Sinto que tudo pode ter mudado, que as pessoas evoluíram, cresceram, e que nada mais pode ser alterado na medida em que vivo o eterno presente. Sinto que tantas confissões me fazem sentir um pouco pequeno. Um pouco menor do que deveria, talvez. Sinto que tudo poderia ter saído melhor, que o mundo poderia ter sido um pouco mais ameno comigo. Sinto uma incompreensão gigantesca, que brota aqui dentro e se espelha no mundo, em tudo o que me cerca. Ouço os passos daquela criança que um dia me deu alegria, ser uma criança foi uma coisa interessante para mim, foi algo que realmente me fez sentir que a vida era boa. Mas a vida é boa. A vida é ótima. Por que a gente sofre tanto? Queria mais respostas às minhas muitas dúvidas. Queria muito, de coração. Minha raiva só mostra que tudo o que sinto é verdadeiro, e encobre a tristeza que seria a realidade de minha vida. Foi o que me inspirou a escrever isso aqui. A vida. Tenho alguns motivos por aí, tenho algumas coisas para me apegar. Qual será o grande problema que me deixa assim, tão triste? Não sei. Queria realmente saber. Sou uma pessoa cheia de vazios, será que todo mundo é assim? Até que ponto a mentira pode me levar? Isto é, será que vale a pena começar algo assim? Vale a pena tentar? Claro que vale, esta tem de ser a resposta; ou isso ou você desiste. Eu não quero desistir, sinceramente não quero. Não quero nem me perguntar se isso tudo, essa torrente de texto que sai de dentro de mim tem valor ou não, se vale ou não, se está correta ou não, se está bem escrita ou não. Sem perguntas. Fluir, quero que a coisa acabe fluindo. Não acho certo que isso aconteça assim, desta maneira.Acho que tudo pode correr de uma maneira melhor, mais humana. Eu tenho de ser mais humano com o mundo, e principalmente comigo mesmo. Tenho de ser mais condescendente, tenho de ter mais amor. Quero ser mais do que sempre fui, sempre quero. Tenho essa mania tão humana de rejeitar o que queria mas não consigo ter. Isso devia ser chamado de covardia. Ah, é assim que classificam esse tipo de atitude? Ah, que coisa. Viu como é difícil dar uma contribuíção genuína ao mundo? Quase tudo já foi dito, classificado, descoberto ou inventado. Quer dizer, eu poderia ser biólogo e descobrir uma nova variedade de besouro comedor de larvas que só existe nas cavernas úmidas da Amazônia setentrional. Mas a quem interessa, além de um grupo reduzidíssimo de biólogos, isso tudo?As pessoas não querem saber se existe ou não existe um novo tipo de besouro comedor de larvas nas cavernas úmidas da Amazônia setentrional. As pessoas sequer sabem se existem ou não cavernas úmidas na Amazônia setentrional. Para a maioria das pessoas, eu incluído nesse grupo, a Amazônia é só uma fotografia de uma vasta floresta num pôster ou livro de escola. Faz sentido, não faz? As pessoas querem saber de vaidade, do último desfile de Gisele Bündchen, da capa da Playboy. Querem comprar o novo disco do Cpm-22, querem viajar para Paris e viver dias a flanar, querem comprar a miniatura da Torre Eifell, que não sei se escreve com um ou dois éles (acho que é com dois). As pessoas querem dizer "o que as pessoas querem". Querem saber mais do que sabem, querem poder. Eu sou parte das pessoas, eu também quero um naco disso tudo. Quero ser feliz, embora não admita assim, claramente. Há problema em qurer ser feliz? Eu tenho uma vida regrada, pago mihas contas (às vezes esqueço uma ou outra), e quero continuar assim. Dizer "sim senhor, seu guarda". Quero dar bom dia às pessoas com um sorriso no rosto, brincar com o resultado do jogo de ontem à noite. Quero ler meu jornal e acreditar que o país está melhorando, que meu time pode ser campeão e que as pessoas estão mais felizes, quero ler as notícias mais amenas, as boas novas (que não sei se escreve assim ou com hífen, estou compreguiça de consultar o dicionário), quero ser mais feliz. Aceitar qualquer coisa, parar de reclamar, não sentir necessidade de saber tudo o que os jornais noticiaram. Saber que a minha vida pode ser ordinária, igualzinha à vida de milhares de outros cretinos, e mesmo assim me sentir feliz. Quero muito, na verdade. Não sei se vai dar tempo pra tudo. O primeiro passo, de repente me ocorreu, seria sair da frente deste computador, abraçar as pessoas que amo, mas não posso. Acho que é isso. Cumprir as coisas direitinho. A vida pode ser uma coisa muito boa, mesmo sozinho. Às vezes o medo nos empurra para o que há de melhor."
"Antes de qualquer coisa, gostaria de dizer que sinto muito. Sinto em ter de dizer que nada tenho a dizer, que tudo o que sempre acreditei hoje nada significa para mim. Que a vida cresceu demais, o mundo se transformou, e eu continuo aquela criança de sempre, que ainda chora ao sentir que as coisas não saíram como ela queria, que sente medo e tristeza diante de qualquer frustração. Sinto que tudo pode ter mudado, que as pessoas evoluíram, cresceram, e que nada mais pode ser alterado na medida em que vivo o eterno presente. Sinto que tantas confissões me fazem sentir um pouco pequeno. Um pouco menor do que deveria, talvez. Sinto que tudo poderia ter saído melhor, que o mundo poderia ter sido um pouco mais ameno comigo. Sinto uma incompreensão gigantesca, que brota aqui dentro e se espelha no mundo, em tudo o que me cerca. Ouço os passos daquela criança que um dia me deu alegria, ser uma criança foi uma coisa interessante para mim, foi algo que realmente me fez sentir que a vida era boa. Mas a vida é boa. A vida é ótima. Por que a gente sofre tanto? Queria mais respostas às minhas muitas dúvidas. Queria muito, de coração. Minha raiva só mostra que tudo o que sinto é verdadeiro, e encobre a tristeza que seria a realidade de minha vida. Foi o que me inspirou a escrever isso aqui. A vida. Tenho alguns motivos por aí, tenho algumas coisas para me apegar. Qual será o grande problema que me deixa assim, tão triste? Não sei. Queria realmente saber. Sou uma pessoa cheia de vazios, será que todo mundo é assim? Até que ponto a mentira pode me levar? Isto é, será que vale a pena começar algo assim? Vale a pena tentar? Claro que vale, esta tem de ser a resposta; ou isso ou você desiste. Eu não quero desistir, sinceramente não quero. Não quero nem me perguntar se isso tudo, essa torrente de texto que sai de dentro de mim tem valor ou não, se vale ou não, se está correta ou não, se está bem escrita ou não. Sem perguntas. Fluir, quero que a coisa acabe fluindo. Não acho certo que isso aconteça assim, desta maneira.Acho que tudo pode correr de uma maneira melhor, mais humana. Eu tenho de ser mais humano com o mundo, e principalmente comigo mesmo. Tenho de ser mais condescendente, tenho de ter mais amor. Quero ser mais do que sempre fui, sempre quero. Tenho essa mania tão humana de rejeitar o que queria mas não consigo ter. Isso devia ser chamado de covardia. Ah, é assim que classificam esse tipo de atitude? Ah, que coisa. Viu como é difícil dar uma contribuíção genuína ao mundo? Quase tudo já foi dito, classificado, descoberto ou inventado. Quer dizer, eu poderia ser biólogo e descobrir uma nova variedade de besouro comedor de larvas que só existe nas cavernas úmidas da Amazônia setentrional. Mas a quem interessa, além de um grupo reduzidíssimo de biólogos, isso tudo?As pessoas não querem saber se existe ou não existe um novo tipo de besouro comedor de larvas nas cavernas úmidas da Amazônia setentrional. As pessoas sequer sabem se existem ou não cavernas úmidas na Amazônia setentrional. Para a maioria das pessoas, eu incluído nesse grupo, a Amazônia é só uma fotografia de uma vasta floresta num pôster ou livro de escola. Faz sentido, não faz? As pessoas querem saber de vaidade, do último desfile de Gisele Bündchen, da capa da Playboy. Querem comprar o novo disco do Cpm-22, querem viajar para Paris e viver dias a flanar, querem comprar a miniatura da Torre Eifell, que não sei se escreve com um ou dois éles (acho que é com dois). As pessoas querem dizer "o que as pessoas querem". Querem saber mais do que sabem, querem poder. Eu sou parte das pessoas, eu também quero um naco disso tudo. Quero ser feliz, embora não admita assim, claramente. Há problema em qurer ser feliz? Eu tenho uma vida regrada, pago mihas contas (às vezes esqueço uma ou outra), e quero continuar assim. Dizer "sim senhor, seu guarda". Quero dar bom dia às pessoas com um sorriso no rosto, brincar com o resultado do jogo de ontem à noite. Quero ler meu jornal e acreditar que o país está melhorando, que meu time pode ser campeão e que as pessoas estão mais felizes, quero ler as notícias mais amenas, as boas novas (que não sei se escreve assim ou com hífen, estou compreguiça de consultar o dicionário), quero ser mais feliz. Aceitar qualquer coisa, parar de reclamar, não sentir necessidade de saber tudo o que os jornais noticiaram. Saber que a minha vida pode ser ordinária, igualzinha à vida de milhares de outros cretinos, e mesmo assim me sentir feliz. Quero muito, na verdade. Não sei se vai dar tempo pra tudo. O primeiro passo, de repente me ocorreu, seria sair da frente deste computador, abraçar as pessoas que amo, mas não posso. Acho que é isso. Cumprir as coisas direitinho. A vida pode ser uma coisa muito boa, mesmo sozinho. Às vezes o medo nos empurra para o que há de melhor."
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